segunda-feira, novembro 28, 2005

DiAs dE reFleXão

Alguns dias ponho-me a pensar. Penso sobre a fragilidade que é a nossa vida, assim como penso na facilidade que temos em mudar entre a vida e a morte. Agradeço a deus por conhecer tantas pessoas com mais de 70 anos. Em 70 anos temos muitas oportunidades de sofrer um acidente ou até de apenas aceitarmos o risco em paz absoluta.

Com algumas dessas pessoas aprendi lições que nunca imaginei fosse aprender. Um professor que tive, e que escreveu a biografia de Salazar, ensinou-me um pouco da história da gravata. Algo que provavelmente não terá grande utilidade futura, mas que me marcou pela simplicidade com que este homem, que antes conversou com mentes tão ou mais brilhantes que a sua, encontra-se no seu tempo forças e vontade de me ensinar algo que, tendo o seu valor prático reduzido, teve um impacto tão estranhamente grande na minha vida.

Com outras pessoas mais sabias que eu, não que sejam poucas, aprendi que a paciência é uma virtude, mas só se espera o tempo que achar-mos que não estamos a perder noutra coisa mais útil. O problema será sempre saber qual das nossas opções será mais útil. Por vezes tentarem vigarizar-nos pode ser mais útil do que podíamos imaginar algum dia, mas geralmente é apenas uma oportunidade de fazer-mos outra coisa para aprender.

Devido a alguns problemas que a minha avó Chica tem passado este fim de semana, tenho pensado muito nela e nos meus outros 3 avós. Por isto talvez escreva tanto e não diga nada!

3 comentários:

Lisiane Braga disse...

António, publique seus textos, vá!!! Logo!!! ADORO suas reflexões. A parte "...ensinou-me um pouco da história da gravata. / Algo que provavelmente não terá grande utilidade futura, mas..." é fantástica. Eu ri pela sensação que senti na hora. Você escreve numa linearidade, a gente começa a viajar e você diz que aquilo não terá utilidade futura... essa quebra provoca. Muito bom!! :D Beijão, te adoro!!!

Maria disse...

Escrevemos sempre bem quando exprimimos as nossas emoções. Li há poucos dias, na autobiografia de G. G. Marquez, que só podemos escrever coisas credíveis se já as tivermos vivido...acho que faz sentido. Por isso gostei do teu post. A idade é verdaeiramente um posto, pela experiência e pelo conhecimento que acarreta.

aquelabruxa disse...

escreves e dizes, sim!
também adoro pessoas velha, têm uma paz enorme, na sua maioria.
acharmos
fazermos

(achar-mos usa-se numa frase tipo:
ele perdeu os meus óculos, acho que é sua obrigação agora achar-mos).

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