segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O Tio Amizade


O Tio Amizade, como o chamavam, conhecia todos. Conhecia os seus amigos e os amigos deles. Conhecia os seus inimigos e os inimigos deles. Conhecia todos. O Tio Amizade como o chamavam era amigo de todos, só dependia do dia, do vento, do passado. O Tio governava a sua terra, qualquer um podia lá entrar, sair é outra conversa, mas entrar era fácil. O Tio fazia questão de conhecer todos os visitantes que fossem a Amizade. Recebia cada um deles como se tratasse de um filho, mesmo os mais suspeitos, principalmente os mais suspeitos. O Tio sabia que qualquer um tem uma história para contar, pode ser que seja boa. O Tio deixava entrar todos, mas para sair era preciso asneirar, trair a confiança do tio, nessa altura essa pessoa estava morta em Amizade, nunca mais seria aceite pelo Tio, pois apesar de só o Tio mandar em Amizade, todos lá eram felizes por lá estar. O Tio aceitava todas as opiniões, todas as ideias, mas nunca a traição, nem de um irmão.

O Tio hoje manda lá em casa, mas pouco, mas ninguém esquece a sua Amizade.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Junto à praia


Uma tarde de sol arrasador, o Paulo estava a ver as meninas a bronzear na areia. De cima do paredão a pele delas tem um brilho especial e ele gostava de o ver, um brilho como as brasileiras das revistas da sua mãe. Ele sonhava com a atenção de uma delas, a Leonarda, a Leoa. A dona do mais belo corpo de toda a Nazaré, e possuidora do mais apetitoso rabinho.

Paulo tinha apenas 15 anos, mas sabia muito bem o que queria, a Leoa. Olhava com calma para cada pormenor daquelas belas costas e daquele cuzinho saboroso. Durante este processo teve uma ideia para mudar a sua situação de platónica a viável. Desceu para a praia.

″Leoa, Leoa, tenho que te contar uma coisa!″ - Gritou Paulo. Para depois lhe contar que tinha prometido ao padre que nunca mais guardaria sentimentos nobres para si. Ao ver que ela não entendia o porquê de tal revelação, então explicou, o amor é um sentimento nobre e ele nutria o mesmo por ela. Apesar de ele ser 2 anos mais novo, ela notou que de menino aquele corpo nada tinha, gostou. Disse-lhe então para não parar no uso do verbo, para escrever esses sentimentos e le-los a ela essa noite na praça, perto do café central.

Depois da novela das 8 chegava a Leoa à esplanada do café central, onde viu o Paulo, sentado numa mesa com uma carta de aspecto grosso. Sentou-se na sua mesa e olhou para os olhos do miúdo. Estava algo nervoso mas parecia seguro de seu sucesso. Ela puxou-o pela mão e disse-lhe ao ouvido que a acompanha-se. Foram para a praia, onde antes que ela pudesse dizer algo o Paulo lhe roubou um beijo. Ela não deixou a situação ficar assim, respondeu-lhe com um beijo daqueles para não se esquecer e deitou-o na areia.

Como correu o resto noite eu não posso dizer, mas os filhos deles apostam que houve festa na praia.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Patria que pariu


Uma prostituta chamada Brasil se esqueceu de tomar a
pílula, e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de
dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de
dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mais nove meses depois foi encontrado, com fome e com
frio,
Abandonado num terreno baldio
Pátria que me pariu! Quem foi a pátria que me pariu!?
A criança é a cara dos pais mais não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo prá sonhar
Vendendo bala, chiclete...
Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um
pão, um vídeo game e uma televisão
Uma chuteira e uma camisa do mengão
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa vou pra Europa...
Coitadinho! Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cade?
To cansado de apanhar. Tá na hora de bater!
Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?
Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
E melhor correr que lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta pega essa criança com um
tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade catorze estado civil morto
Demorou, mais a sua pátria mãe gentil conseguiu
realizar o aborto

(Gabriel o Pensador)

Um bigo




Já escrevi sobre este tema no passado, mas ainda não me passou a pancada. Adoro um bom umbigo.


6ª a tarde, dia de merda. Quero comprar um desportivo, mas não tenho mãos para ele. Quero 3 putas, mas não tenho cabedal para isso. Comprar uma casa em Portugal demora muito, morro antes, fazer o quê?

Amanhã tenho outra festa. Mais alguns sanguessugas a querer uns melreis da minha conta. Vão trabalhar vagabundos. Os meus filhos já não falam comigo sem ser para me cravar, foda-se. Quero chorar, mas tenho medo de ser visto. Ainda me internam pela massa. Vou é beber na festa.

Tive uma ideia, vou lixar estes gajos todos, vou dar o que resta da massa a malta que não conheço, mas como? Talvez no casino... Só perdi 200 contos no casino, estou farto de não saber o que fazer a este dinheiro. Talvez faça uma lista de nomes parvos e os registre como meu herdeiros. Melhor ainda, vou a lista telefónica.

Vou endoidecer estes gajos no dia do testamento, ha ha ha.

Carnavais passados


Bons dias passaram enquanto carnavais vieram e foram. Num ano que não posso precisar a coisa foi memorável. Arrancamos de Piatã no buggy mais velho do mundo com este louco aos comandos.

Ao chegar à Barra estacionamos nada mais nada menos do que no parque da Policia. "Playba, ai não pode!" - gritava o policia militar! Não ligamos, ter as costas quentes tem vantagens.

Beija esta, beija aquela e eu já entendia o charme do Carnaval de Salvador. Vi uns olhos azuis brutais a olhar na minha direcção. Fiquei maluco, corri aos olhos que vi. Quando alcancei tão belos mirantes, não aguentei, beijei a sua dona. Ao contrario do que tinha anteriormente acontecido não fui embora após um beijo, nem dois. Demos muitas voltas pelo circuito do carnaval. Depois fomos para o buggy mais velho do mundo e arrancamos para uma praia escondida que conheço. Passamos muitas horas a treinar biologia aplicada e a amar cada segundo que passamos. Mas como toda loucura de carnaval depois deixei-a em casa e fui para a minha.

Três dias depois começaram as aulas. Colegas novos, professores novos e psicóloga nova... Nova para todos menos para mim, e tinha uns enlouquecedores olhos azuis!
segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Era uma vez...


Era uma vez uma nação que foi convocada a pensar. Era uma nação pequenina, ignorante mas muito orgulhosa das suas tradições. Nesta nação o pensar não era uma tradição, nem uma obrigação. Chamemos-lhe Portugal.

Portugal foi chamada a pensar sobre o destino a dar às suas filhas que por ser tradicionalistas tinham ficado carregadas. Mas apesar de suas filhas precisarem de ajuda, Portugal não ouvia, mandava as meninas a sua vizinha, a Espanha trata de ti, ela trata bem de todos os meus filhos e filhas. Algumas foram, outras descarregaram em casa da mãe mesmo. Portugal não gostava de ser desafiada e as suas filhas castigou.

Os filhos e filhas de Portugal pediram-lhe que pensa-se na asneira que fazia, pois um filho é sempre um filho. Tradições, igreja e conformismo foram as soluções que Portugal encontrou. As filhas ficaram a sofrer e a morrer pelos cantos da casa, mas Portugal fingiu não ver, que se o olho não vê o coração não sofre. Portugal não pensou, mas mantém a sua orgulhosa tradição.
quarta-feira, janeiro 24, 2007

Diz que não, diz que sim!


Dia 11 de Fevereiro vamos ser chamados a dar a nossa opinião sobre a legalização do aborto até às 10 semanas de gravidez. Muitas opiniões há, umas pelo sim, outras pelo não. Desde já digo, sou pelo sim.

Tenho ouvido e lido atentamente os dois lados. Chego a conclusão que dois dos mais influentes opinion makers portugueses que defendem o não o fazem por culpa do português usado pelo PS. Que o fazem porque querem que se oiça a opinião deles, não querem ficar sem o seu espaço nos media. São este dois Marcos Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa. Antes de mais deixo extractos de textos que li.

“o líder social-democrata fala também sobre a prisão de mulheres que fazem abortos, dizendo que não é favorável à pena de prisão para uma mulher que decide interromper a gravidez,” Publico

“Quem teve a ideia deste referendo fui eu em Outubro de 1996.” Marcelo Rebelo de Sousa in www.assimnao.org

Depois de ler isto será possível levar a sério as suas opiniões pelo não? Do mini-me nem digo nada, não vale as palavras, mas do Professor martelo... ... o que ele nos diz é que é pelo não por uma questão semântica. Isso é como ser contra uma vacina contra a Sida porque é produzida pelo PS, a embalagem é feia e a sua venda seria um sucesso para o partido. Quer isto dizer que se Sócrates não apoiasse o sim ele o faria? Não me cabe responder.

Como sou português, maior de 18 e posso votar, vou faze-lo. Tenho a certeza que nenhuma mulher toma de animo leve uma decisão como abortar, por muito que seja legal, ao contrario do que diz mini-me um aborto não é "um sinal de facilitismo". Conhece alguém que tenha feito um aborto por ser fácil? Diria que não, um aborto é uma coisa muito difícil para o corpo e acima de tudo para a mente. Conheço uma mulher que fez um aborto, até hoje tem marcas disso. Não no corpo, mas onde só ela pode ver.

'É difícil combater corrupção e tráfico de droga, mas não os legalizamos' Marcos Mendes

A corrupção não legalizamos, mas o tráfico de droga... ... tanto quanto sei não fechamos ainda as farmácias, os cafés, os bares ou as clinicas de emagrecimento e todas elas vendem droga. Quanto a drogas ilícitas, não as legalizamos porque não conseguimos, eu por minha parte estou pronto para essa discussão. E comparar tráfico de drogas ao aborto é tão radical como comparar corrupção a burocracia. Vamos ver se desta vez o nosso povo não me deixa ficar mal, vamos ver se quem já precisou dele não é contra.
terça-feira, janeiro 16, 2007

Grandes Homens, mas homens.



Imagens de Fidel Castro inundam as tvs. Noticias dos jornais de nuestros hermanos dizem que ele está a morrer, antes de falar de coisas sérias, e quem não está? Uma ideia invadiu a minha cabeça ao ver essas imagens; Como é triste ver um grande homem a caminho de um fim anunciado. Não discuto as suas políticas, não discuto se é ou não um grande homem (não sei quanto mede). Mas digam o que disserem, o homem marcou o mundo.

Lembro-me das imagens do julgamento de Saddam, imagens de um homem de barba, com aspecto fraco e algo conformado com a sua sorte. Não era aquela imagem de um Chefe de Estado a comandar o seu país, não era a imagem de um homem de poder.

Seja qual for a história de uma pessoa, seja qual for a grandiosidade de sua vida, seja qual for a maldade que marcam um homem, quando for velho este homem vai parecer um homem velho. Um homem sem a força que o caracterizou sempre, um homem a lutar a sua ultima batalha.
domingo, maio 21, 2006

A mania do fácil


Somos os maiores apostadores da Europa em jogos de azar. Quanto menores as chances de ganhar, mais apostamos. Somos por tanto os “reis” do Euro milhões, muitos milhões por 2 Euros. Como bom tuga que sou, quando posso aposto os meus tostões. Ainda estou à espera dos meus milhões.

Já sonhei com casas, carros, viagens e caridades. Já sonhei com viver dos juros, acções, ou em montar vários negócios. Ainda sou um sonhador.

Mas serão essas as pessoas que “chegaram lá”, que fazem de nada uma empresa e se tornam ricos? Começo a pensar que tenho que estudar alternativas para seguir o sonho de conforto económico, ou pelo menos o sonho de ser o meu chefe.

Acho que vou ter que seguir o método dos empreendedores modernos, empréstimo bancário. Terei que ser mais um escravo do sistema. Normalmente o banco e o governo acabam por ficar com todo e qualquer lucro obtido e ao fim de algum tempo a falência é certa.

No entanto há que tentar, mas nunca deixar de apostar os tais 2 euros do azar, não vá o diabo tece-las.

Tristes Tigres

30-03-2006
Bravo tuga,
luta por si,
ganha ali,
gasta aqui.


Forte fuga,
quero para mim,
viver assim,
contar titi.


Guerreira rija,
ás vezes ri,
ou não, eu li,
triste por ti.

Primavera


30-03-2006
O sol chegou, está a chegar com calma, mas está a chegar. As tardes ao por do sol, a conversar com estranhos e amigos, a conhecer outras ideias, outras histórias e outros pontos de vista.

Aos poucos vem a calor, mas não vem pouco, vem tanto que será mais fácil ver bigos do que não ver. Com ele os homens ficam mais alegres, e como a alegria é algo contagiante as meninas (todas) também vão ficar mais alegres. Alguns vão à praia, trazer aquele cheiro maravilhoso a vida, outros vão ao campo, de lá vão trazer cheiro a flores. Lisboa vai convidar-nos a sair à rua, o Porto vai chamar-nos a passear, o Algarve vai nos chamar. Aproveite o sol.

As emoções de ser português !!!


29-03-2006
Que país emocionante que nós temos. Equipas de nível europeu, primeiro ministro gay, manifestações de jovens sem jovens, perseguição politica nos Açores, discriminação dos jovens desempregados e um Presidente da Republica sem emoções. Melhor só se nas ruas existisse merda de cão.

O glorioso joga na Champions e Lisboa pára. Não se houve um som. É arrepiante. Os direitos dos jovens trabalhadores são chacinados em França e há revolta, os únicos jovens que apoiam a lei são os imigrantes portugueses empregados. Que estranho que os jovens empregados se estejam marimbando para os direitos dos outros jovens (onde estão incluídos). A solução para o desemprego é o emprego temerário, trabalhas mas amanhã logo se vê, quando tenhas quase direitos és despedido e venham os próximos jovens. Bons trabalhadores devem vir dessa ideia!

Mas o tuga é cordeiro, sabe que o pastor só pensa nos outros, nunca, repito; nunca em si ou nos seus amigos empresários. O facto de ser cada vez mais fácil despedir trabalhadores ou declarar falência, nada tem que ver com os mesmos a ajudar os seus bolsos e os seus interesses.

Como por cá tudo corre bem, temos notícias do Canadá. Coitadinhos dos tugas de lá, são refugiados políticos sem asilo por lá. No entanto há algo que não entendo, refugiados políticos de quê, pá? Nos Açores há PIDE? Há censura? Levam porrada dos continentais? Caem ao mar? Se fosse eu a mandar, não os deixava voltar. Não dizem que são perseguidos cá em Portugal? Passavam a ser mesmo, ficavam sem documentos portugueses e ai queria ver do quê que se queixavam.

Como tudo corre as mil maravilhas, temos que ver o circo do Castelo Branco, ou comprar livros. O que safa é a tropa, o pão e o circo (Benfica e solzinho). Só dá vontade de entregar o cartão de português na sede, como se de um clube da bola se tratasse, e pedir asilo politico no Canadá.

Mansos ou otários?


24-03-2006
Os jovens em França estão revoltados à dias. Segundo entendi a sua revolta deve-se a redução de direitos laborais a que Sarkosy os submete. Estranhamente em Portugal estão a ser reduzidos os benefícios aos jovens desempregados, temos uma média de 40% de desemprego entre os recém-licenciados, e dos que estão empregados, a maioria, como eu, estão sub-empregados, fora da sua área e sem direito ao tal subsidio desemprego que nos querem cortar. Mas para compensar, aqueles que quando se reformarem vão ainda ter dinheiro de reforma para receber. Vão poder receber mais tempo de desemprego, pago pelos jovens de trabalho precário ou sub-empregados.

É estranho como as pessoas que estão a descontar para a reforma dos outros, não tenham nem direito a um desemprego igual a estes, já que reforma já não vão ter nem em sonhos.

Estranho mesmo é que aqui ninguém se revolte quando se lhes corta direitos que são dados a outros. Só falta baixarmos as calças e pedirmos que lubrifiquem os bastões para que nos fodam mais e melhor. Mas ainda acredito que vamos ver esse dia.

Outro pensamento, este para quem use autocarros de Lisboa, quantos BMW´s foram oferecidos para que tenhamos autocarros novos onde não se consegue ler o destino e o número da carreira? Porque se eu não consigo, imagino os mais velhos e mais ceguinhos que eu. Pior, os velhos, como vi o outro dia, que não lêem, não sabem, e o número é o seu guia para se transportar. Só uma ideia!
sábado, abril 08, 2006

O Cão estrela


Tenho um irmão, este irmão é d2 o cão. Hoje vai começar a sua carreira artística, actor de publicidade, há coisas que só vistas. Será que entro no meu meio pela porta do lado? Logo se vê. Pelo menos o cão vai curtir e eu vou filmar umas coisas giras.
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