sexta-feira, dezembro 09, 2005

Papel


Escrevo coisas,
Perturbadoras,
Chatas,
Escrevo coisas muitas.

Mato arvores,
Vivas,
Sóbrias,
Mato arvores várias.

Uso tudo,
Rápido,
Inutilmente,
Uso tudo sem porquê.

Aqui tudo se pode


“O Ministério da Saúde vai encerrar serviços de urgência com poucos utentes” quinta-feira 8 de Dezembro 2005 Diário de Notícias.

Há coisas que me espantam cada dia mais. Algum tempo atrás ouvi uma noticia que me revoltou; Falsas urgências vão pagar multa. Falei com conhecidos, falei com familiares, discuti lá no café. Todos pareciam dar razão ao governo, mas eu perguntava se isso não irá aumentar a mortalidade em Portugal. Muitas pessoas não vão ao médico por terem que trabalhar, por não terem dinheiro para o mesmo, ou por pensarem que vai passar. Mesmo assim os serviços de urgências estão cheios de falsas urgências.

Algum tempo atrás fui ao centro de saúde do meu bairro, pedi uma consulta com o meu médico pois quase não podia andar devido a uma infecção no pé(ou algo assim). Disseram-me que sim senhor, que fosse para casa e que voltasse no espaço de três meses. TRÊS MESES, mas estão a oferecer alucinantes nos hospitais? Em três meses podia já não ter pé. Com a nova lei se eu fosse ás urgências de um hospital pagaria multa por isso. No espaço de três meses já seria uma urgência, mas não seria evitável?

O resultado disso é a noticia que se lê acima, vão fechar as urgências. Se bem entendo, ir as urgências sem risco de morte dá multa, como as pessoas tem medo de ir as urgências, estas fecham, e se quisermos ser tratados, esperamos três meses. Correcto?

ESTÃO TODOS LOUCOS ? Ninguém se revolta com esta merda? Todos tem seguros de saúde, que cobre tudo sem seres multado? EU QUERO SER TRATADO NUM HOSPITAL SEM TER QUE ESTAR A MORRER !!!

Carnaval em Coimbra


“Porque este fim de semana parece que vai haver bom tempo, tento escrever sobre coisas alegres. Antes de ser um homem exclusivamente laboral, tinha que inventar para começar qualquer aventura, hoje tenho algumas para contar.” – Amigo esquecido –

Numa tarde de quarta, durante a semana antecedente ao carnaval, lá estávamos nós no nosso templo de conhecimentos. O da linha dizia meio para o ar: “temos que decidir o que se vai fazer hoje!” . Falamos com amigos, abordamos conhecidos, quando uma estranha que nos ouvia disse algo referente a uma festa em Coimbra que ia ser do best.

Juntamo-nos cinco malucos publicitários (ou quase) e rumamos para Coimbra. Eu punha o carro, as portagens, roupas úteis na festa e alguma bebida, o da linha trazia mais bebidas, mais disfarces e afastadores da realidade, os outros bom humor, roupas estranhas, companhia e $$ para a gota.

Em “apenas” quatro horas chegamos ao centro do pais e fronteira entre o Porto e Marrocos. Buscamos um lugar para o jantar que não tivesse cara de ser mais caro que o meu carro (um peugeot 205 de oitenta e sete, que foi vendido depois por seicentos euros) e encontramos uma tasca que anunciava em letra garrafais: “Temos comida de Marrocos a Caminha”. Como sou fã de Cous-Cous e afins e pensei que Marrocos fosse em África, entramos.

Marrocos, segundo parece é tudo abaixo de Coimbra, motivo pelo qual a única comida “marroquina” que havia era leitão à Bairrada, açorda e lulas fritas à Setubalense. Tivemos que optar pelo leitão. Comemos tanto quanto conseguimos mas tivemos que ouvir a triste pergunta, se estava “bonzinho”, e se tínhamos pouca fome. As gentes lá de Portugal genuíno (Norte) comem muito, começo a perceber o problema da obesidade em Portugal.

Ao sair descobrimos um jardim paradisíaco. Dirigimo-nos lá e por lá ficamos a cantar clássicos como Conã o homem rã, masturbação para bem da nação e só eu sei porque fico em casa. Quando paramos para o descanso dos artistas tínhamos reunido um grupo de jovens estudantes de mais de vinte pessoas, era a hora para o cachimbo da paz. E assim o fumo cobriu o jardim e a nossa fuga em direcção a tal festa de carnaval.

Quando lá chegamos, qual não foi a nossa surpresa ao descobrir o preço do bilhete para a festa, um euro por cabeça. Pelo preço de um bilhete em qualquer festa universitária em Lisboa, entramos os cinco. Para que a nossa alegria aumenta-se o álcool custava cinquenta cêntimos o copo. Nada parecia poder correr melhor.

Uma hora depois de entrar na festa uma jovem, que mais tarde descobri ser de Rio Maior, convidou-me para apanhar ar à porta da festa. Fui, conversamos sobre muita merda, sobre o céu, sobre musica, sobre a noite que estava e sobre sexo. Conversas destas tem por vezes finais engraçados. Ela contou-me que tinha um namorado lá na terra, mas que não gostava muito dele, trazia-lhe segurança não estar sozinha. Tenho uma foto sua.

Umas horas depois, o entretanto é entre a jovem e eu, foi encontrar a porta da festa os meus quatro amigos a fazerem uma festa deles e dos seus novos amigos, mais amigas que amigos, cantavam, fumavam, bebiam e alguns até dançavam. Carreguei o carro com os cabiam, uns 8. Distribui por republicas variadas os estudantes de lá e rumamos às seis da manhã para a metrópole, ou como diria o nosso cozinheiro da noite, Marrocos city.

Por volta das oito da manhã estávamos presos na calçada de Carriche, no meio de um engarrafamento típico de Lisboa. Começamos então a planear o próxima viagem a cidade universitária mais velha por isso do mundo.
quinta-feira, dezembro 08, 2005

Uma realidade que nem todos querem ver!


Encontrei esta bela montagem que tão bem reflete o nosso novo mundo!
quarta-feira, dezembro 07, 2005

Uma noite no Bairro


No meio da multidão notei um pequeno grupo de baixas meninas de leste. Continuei o chá gelado que bebia, enquanto esperava que o meu estranho parceiro de aventuras terminasse o seu serviço. Ao olhar novamente na direcção do grupo feminino notei que estavam a chegar até nós. Nós, um grupo muito peculiar, composto por um inglês de Liverpool, um irlandês do sul, um anão com cara de rato e pelo de negro e eu, um português cabeludo e cansado após um dia de formação profissional.

Como dizia, o ajuntamento de meninas baixas de leste estava nesta altura ao nosso lado e falavam, das cinco, duas das meninas com o inglês e com o irlandês, quando eu notei que uma destas jovens tinha uns olhos que não me deixavam desviar o olhar. Eram grandes, azuis/verdes e a sua dona tinha um olhar de curiosidade em relação a mim que me atraia.

Começamos então uma conversa banal. Falamos de nossas origens, do nosso dia, do motivo que nos levara até lá e de vodka. Após o tema vodka, a jovem linda virou-se para ouvir o que diziam o inglês e o irlandês. Olhei par o meu lado esquerdo e o anão conversava com uma amiga da mais linda polaca que já conheci. Trocavam números de telefone e promessas de se encontrar. Quando consegui arrancar meu parceiro anão dessa conversa partimos os dois em busca de bebidas e outros poisos.

Uma semana mais tarde, eu estava em minha casa a pensar nos olhos da linda polaca que tinha conhecido, quando apareceu o anão com propostas que prometiam um fim de noite interessante para ele. Todas elas começavam com um telefonema à miúda que ele tinha conhecido na sexta anterior e com um jantar em minha casa.

Foram feitos telefonemas, marcadas horas e lugares e a minha tarefa foi então determinada. Tinha que cozinhar um jantar simpático, acompanhado de um bom beberico. Uma hora depois a estranha polaca baixinha apareceu para jantar. Trazia consigo um sorriso sonso e um brasileiro. Este brasileiro era o residente mais recente lá da minha casa. Jantamos então os quatro o meu petisco acompanhado do beberico bom, enquanto o brasileiro e eu conversávamos com a jovem.

Após o jantar a jovem fez um telefonema no seu estranho idioma a uma amiga. Esta chamada demorou quase dez minutos e envolveu alguma discussão. Mas, verdade seja dita, apareceram quinze minutos depois do tal conturbado contacto, mais duas polacas a porta da minha casa. Uma delas era a linda polaca que eu tinha conhecido a semana anterior. Conversámos então os seis em torno a seis copinhos cheios de vodka, muito popular na Polónia. Em plena conversa o meu colega brasileiro, no auge do seu conhecimento de polaco, percebeu na conversa das três polacas uma ordem de distribuição de homens para elas. Graças a deus, a que me fora atribuída, era aquela que tinha os mais belos olhos que vi nos últimos tempos, Kasia.

Tomamos então a decisão conjunta de irmos para uma festa em casa de uns brasileiros que eram quase meus vizinhos. Uma vez lá o meu companheiro brasileiro mostrou-me umas janelas com uma vista linda, num quarto vazio e perfeito para uma tentativa de sorte com as meninas. Subi a esse quarto com Kasia. Lá mostrei-lhe o rio, a ponte e a minha intenção de beija-la. Recusou, dizendo que tinha em casa um namorado que aguardava por ela ansiosamente. Mesmo assim eu tentei outra vez. Mais uma vez fui impedido de concretizar a minha intenção. Levei então Kasia para o telhado da casa.

Uma vez que a minha tentativa de beijar a bela Kasia tinha falhado, tinha então a intenção de dançar ao som de ritmos brasileiros variados. Mas o jovem anão queria ir ao Bairro Alto, onde tinha conhecido a sonsa que alimentamos. Recusei a oferta mas fui massacrado com insistência por parte do anão que me prometia sucesso com a bela Kasia.

Apesar da minha descrença, fui. Fomos a vários locais no Bairro, entre eles o local onde todos nos tínhamos conhecido. Num bar brasileiro dancei com Kasia mais intensamente. Umas horas depois sentado a beira rio senti que era a hora de tentar novamente a minha sorte. A bela Kasia parecia precisar de calor humano, eu prontamente me disponibilizei para ajudar.

O sol estava a nascer quando consegui roubar então um beijo a dona de tão belo olhar...

Um dia para apagar da Historia

Cores


As cores estão nas janelas,
São fortes,
São vivas,
São tantas quantas podem.

As cores estão nas ruas,
Querem vida,
Querem luz,
Querem iluminar o que podem.

As cores estão no Inverno,
Vão claras,
Vão tristes,
Vão levar as chuvas longe.

As cores estão na vida,
Estão escuras,
Estão mortas,
Estão a chorar a morte.
terça-feira, dezembro 06, 2005

As gentes do meu planeta


Quando nos ligamos ao mundo temos imagens. Imagens de gente magra, bonita, rica e sem problemas. De certa forma todos queremos ser assim, mesmo que liguemos o telejornal da TVI, onde todos são mais desgraçados que nós.

Estamos numa sociedade onde temos necessidade de nos sentirmos de alguma forma belos. Tratamos dos nossos corpos, compramos a roupa que nos de o melhor aspecto possível e trabalhamos na esperança de um dia termos dinheiro para realizar os nossos sonhos caros (morar em cada continente no mínimo 6 meses, para mim).

O problema de esta massificação de conceitos está nos egos. Se por um lado todos queremos ser “o tal” em algo, por outro lado parece que todos temos o rei na barriga. Digo todos e vou do executivo com o seu carro alemão de ultima geração, até a menina de dezoito que apanha o autocarro para o seu emprego de telefonista numa empresa que ela nem bem sabe que produz. Esta afirmação pode ser constatada em qualquer paragem de autocarro, em qualquer templo do consumo ou em qualquer praia deste nosso mundo. Falo claro daquele em que vivemos, a sociedade que se diz civilizada e civilizadora.

Todos adoramos a frase de Andy Warhol, que diz que todos terão os seus quinze minutos de fama. Alguns preferiam fugir desse dia, mas todos adoramos a frase. É um conceito de que por muito médios que sejamos, algum dia algumas pessoas vão olhar para nós. Por outro lado, será que pensamos no preço dos tais quinze minutos? O tal do Zé Maria BB tentou-se matar por falta de atenção sobre ele, ou só para chamar a atenção. O Kurt Cobain a mim ninguém me convence que não morreu de excesso de atenção e outros por ai haverá que morrem por que ninguém olha para eles.

Eu por meu lado gosto de ser apenas mais uma silueta na multidão. Chamo a atenção na minha casa, as vezes na minha família e principalmente a atenção do meu amor. Deve ser coisa de apaixonado.

Coisa que tenho


Verdes pastos espero,
Tenho fome.
Comida quente aguardo,
Tenho sede.

Agua gelada bebo,
Tenho frio.
Feijão vermelho olho,
Tenho muitos.
domingo, dezembro 04, 2005

Mais espertos que alhos


Leio sobre uma nova lei. Diz que sexo com menores de dezoito anos é agora um crime de pedofilia. Nisto penso em algo. Imagino se quando eu tinha dezanove isso já existisse. Eu namorisquei com uma jovem. Ela tinha dezassete e fogo no corpo. Brincamos aos médicos, aos índios e as estrelas porno. Eu tinha dezanove, ela dezassete, logo ao abrigo da nova lei. Como me foi apresentada, eu seria um pedófilo. Mas eu lembro-me também de pagar quase tudo a meias, os pais dela e os meus eram amigos. Onde estava o mal no nossa paixão?

As vezes acho que sou muito básico, outras acho que complicado é pensar só em números, quando o principezinho dizia que as crianças sabem melhor que os adultos que os números são o menos importante quando se fala da vida é. Importante é viver os detalhes. Quando se vê um mais-velho com uma menina de 18 ou 20 anos de idade faz confusão, mas é legal. Não será isso pior que um jovem de vinte e dois anos e uma miúda de dezassete que namoram?

Mas pode ser que eu seja apenas um estranho, com teorias doidas em relação à vida, às leis, aos preconceitos e as coisas doidas no mundo. Claro que pode ser também que eu tenha razão e apenas seja mais fácil não pensar no assunto.
sexta-feira, dezembro 02, 2005

Mais do mesmo


Quinta-feira falei aqui sobre a Cosa Nostra e sobre o bolo rei. O único comentário que recebi foi: “Olha o português pá!”, “Para seres copy tens que melhorar a ortografia, a gramática e o camandro.”. No entanto os assuntos parecem ser demasiado sensíveis para gerar opiniões. São coisas da vida.

Hoje ao acordar ouvi uma noticia “linda”. A igreja católica diz que afinal já não há limbo. Ao que parece a igreja está a desalojar as almas duvidosas. A desculpa oficial é que qualquer bebé, mesmo que por baptizar, tem direito garantido no ceú. Então e os homossexuais, vão directos para o inferno? E se se arrependerem, ficam curados do seu homossexualismo? Sim porque a igreja até hoje diz que o homossexualismo é uma doença e tem cura. Os candidatos a sacerdotes desta linda instituição não podem ter no últimos dois anos sintomas de homossexualismo, caso contrario não servem para ser celibatários. Sou só eu ou isso é mais hipócrita que a noticia do limbo. Será isso uma nova forma de chamar mais “clientes”?


Como acho que ainda consigo pensar, vou tentar um raciocínio herético. Um padre deve ser celibatário! Logo não deve manter relações sexuais com homens ou com mulheres. Seria tão errado uma como outra. A pedofilia existe sempre que relações entre um adulto e uma criança passem a ser sexuais (agora em Portugal és criança até aos 18, podes conduzir motociclos mas não manter relações sexuais). As crianças podem ser meninas ou meninos. Logo pedofilia está condenada legal e moralmente em ambos os casos. Por esta lógica deviam PROIBIR OS PADRES COM A DOENÇA DA HETEROSEXUALIDADE. Assim tínhamos a certeza que os padres nunca iam fazer asneiras com as crianças. Se os padres são celibatários não deveriam ser castrados?

Peço opiniões para saber o que digo é só burrice minha ou se alguém concorda com algo do que digo, no mínimo se tem lógica.

PS: o meu corrector do Word não reconhece a palavra ceú.
quarta-feira, novembro 30, 2005

Tabu


Hoje li um texto num blog que falava no tabu da religião em Portugal. Lembrei-me logo do Cavaco. Que neste pais dizer verdades sobre a igreja, Jesus ou o Padrinho... ... desculpem o Papa, dá direito a exclusão social, ofensas a integridade física e moral, eu já sabia, mas como aqui mesmo pude constatar falar do Cavaco também. Ainda bem. Isso quer dizer que vai haver gente feliz pelo passo atrás que vamos dar. O mais engraçado é que o Cavaco não parece importar-se com as criticas/sátiras/gozações feitas sobre ele.

Se (eu disse se) eu escrevesse aqui que acho a maior das hipocrisias existir uma igreja católica, que é a empresa mais lucrativa da história, que prega o sacrifício, a abstinência, o arrependimento e uma maior valorização da moral, diziam-me logo que não se deve criticar a fé dos outros. Como escreveu o Barnabé no seu blog um tempo atrás: “Porque não?”. Podia ser me dito que gozar, criticar ou satirizar a igreja é algo que não se deve fazer sem conhecimento de causa. Bom, tenho um avô diácono, sou convidado a reuniões católicas de tempo a tempo, sou fruto de uma relação proibida pela igreja, a de pessoas divorciadas e sei pelo menos de um estabelecimento católico na propriedade familiar. Mas é difícil aceitar que a instituição, que não sendo governo, mais prejudicou este pais na sua história, seja algo para o qual deva contribuir conscientemente, não bastará o dinheiro que me é retirado nos impostos sem que me perguntem a opinião?


Se eu dissé-se que o Sócrates é maricas, ninguém se importava, ou se dissé-se que o melhor candidato a presidente da Republica é Manuel João Vieira, não me levariam a sério. No entanto se falarmos no homem bolo rei, na igreja ou na credibilidade do Expresso, seremos atacados por fieis irados. Como diz o meu pequeno primo do norte: “A igreja já não é grandinha para se defender sozinha?”.

Já me foi dito que se falares mal da Opus Dei tás lixado. Porque razão não posso falar mal de quem quero? Para não finalizar com uma pergunta volto a citar o sábio primo pequeno do norte: “Chichi, coco, merda!”
terça-feira, novembro 29, 2005

Todo Amor Que Houver Nessa Vida


Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida no embalo da rede
Mantando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o téio em melodia
Ser teu pão ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcance em cheio o mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão
E a tua mente não
Ser teu pão ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédo que dê alegria

(Cazuza / Frejat)

Isto para dizer que algums morrem cedo e outros demasiado tarde!
Obrigado Lizzy
segunda-feira, novembro 28, 2005

Filmes


Hoje ouvi dizer algo estranho, ouvi dizer que a chuva com sol é sinal de que tudo vai melhorar. Não sei se concordo, lembro-me de ver do lado de lá do mar esta situação e pensar: “estou todo molhado e o sol agradece a minha estada na praia.” Como nesse dia, ainda não percebi se isso será sinal de algo bom, ou apenas sinal que vamos ver um arco-íris belíssimo. Mas como tantas coisas na minha vida pensei: “Que filme!” e segui em frente.

Hoje li algo estranho, li num blog de algum criativo famoso, que como não tinha tempo para escrever, para lermos os post antigos e para comentarmos. Ninguém me convence que este senhor nesses 10 minutos que demorou para escrever isso não podia escrever algo que tivesse valor para o futuro, em vez de um qualquer reparo aos que se queixavam da falta de novos posts. Quero saber que vai na cabeça daquele que deveria ser a minha inspiração na área.

Hoje vi algo estranho, vi uma menina adolescente cheia de vergonha de algo no seu corpo. Olhei de repente para ela, e ela ao notar escondeu-se do meu olhar. Olhei para um senhor que estava noutro banco e notei que ele também olhava para a jovem. Ela ao notar tentou esconder-se. Tratava-se de uma menina de 15 a 18 anos de idade, com um rosto simples mas bonito, com umas curvas bastante chamativas, com umas calças de cintura baixa e um pouco da barriga ao ar livre. Estava sexy, mas não de forma abusiva. Estava gira, no entanto tinha vergonha do seu corpo.

Não entendo a menina gira. Não entendo o brasileiro. Não entendo o sol e a chuva. Segundo alguns sábios estou pronto para aprender tudo sobre a vida, será verdade?

DiAs dE reFleXão

Alguns dias ponho-me a pensar. Penso sobre a fragilidade que é a nossa vida, assim como penso na facilidade que temos em mudar entre a vida e a morte. Agradeço a deus por conhecer tantas pessoas com mais de 70 anos. Em 70 anos temos muitas oportunidades de sofrer um acidente ou até de apenas aceitarmos o risco em paz absoluta.

Com algumas dessas pessoas aprendi lições que nunca imaginei fosse aprender. Um professor que tive, e que escreveu a biografia de Salazar, ensinou-me um pouco da história da gravata. Algo que provavelmente não terá grande utilidade futura, mas que me marcou pela simplicidade com que este homem, que antes conversou com mentes tão ou mais brilhantes que a sua, encontra-se no seu tempo forças e vontade de me ensinar algo que, tendo o seu valor prático reduzido, teve um impacto tão estranhamente grande na minha vida.

Com outras pessoas mais sabias que eu, não que sejam poucas, aprendi que a paciência é uma virtude, mas só se espera o tempo que achar-mos que não estamos a perder noutra coisa mais útil. O problema será sempre saber qual das nossas opções será mais útil. Por vezes tentarem vigarizar-nos pode ser mais útil do que podíamos imaginar algum dia, mas geralmente é apenas uma oportunidade de fazer-mos outra coisa para aprender.

Devido a alguns problemas que a minha avó Chica tem passado este fim de semana, tenho pensado muito nela e nos meus outros 3 avós. Por isto talvez escreva tanto e não diga nada!
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