
No meio da multidão notei um pequeno grupo de baixas meninas de leste. Continuei o chá gelado que bebia, enquanto esperava que o meu estranho parceiro de aventuras terminasse o seu serviço. Ao olhar novamente na direcção do grupo feminino notei que estavam a chegar até nós. Nós, um grupo muito peculiar, composto por um inglês de Liverpool, um irlandês do sul, um anão com cara de rato e pelo de negro e eu, um português cabeludo e cansado após um dia de formação profissional.
Como dizia, o ajuntamento de meninas baixas de leste estava nesta altura ao nosso lado e falavam, das cinco, duas das meninas com o inglês e com o irlandês, quando eu notei que uma destas jovens tinha uns olhos que não me deixavam desviar o olhar. Eram grandes, azuis/verdes e a sua dona tinha um olhar de curiosidade em relação a mim que me atraia.
Começamos então uma conversa banal. Falamos de nossas origens, do nosso dia, do motivo que nos levara até lá e de vodka. Após o tema vodka, a jovem linda virou-se para ouvir o que diziam o inglês e o irlandês. Olhei par o meu lado esquerdo e o anão conversava com uma amiga da mais linda polaca que já conheci. Trocavam números de telefone e promessas de se encontrar. Quando consegui arrancar meu parceiro anão dessa conversa partimos os dois em busca de bebidas e outros poisos.
Uma semana mais tarde, eu estava em minha casa a pensar nos olhos da linda polaca que tinha conhecido, quando apareceu o anão com propostas que prometiam um fim de noite interessante para ele. Todas elas começavam com um telefonema à miúda que ele tinha conhecido na sexta anterior e com um jantar em minha casa.
Foram feitos telefonemas, marcadas horas e lugares e a minha tarefa foi então determinada. Tinha que cozinhar um jantar simpático, acompanhado de um bom beberico. Uma hora depois a estranha polaca baixinha apareceu para jantar. Trazia consigo um sorriso sonso e um brasileiro. Este brasileiro era o residente mais recente lá da minha casa. Jantamos então os quatro o meu petisco acompanhado do beberico bom, enquanto o brasileiro e eu conversávamos com a jovem.
Após o jantar a jovem fez um telefonema no seu estranho idioma a uma amiga. Esta chamada demorou quase dez minutos e envolveu alguma discussão. Mas, verdade seja dita, apareceram quinze minutos depois do tal conturbado contacto, mais duas polacas a porta da minha casa. Uma delas era a linda polaca que eu tinha conhecido a semana anterior. Conversámos então os seis em torno a seis copinhos cheios de vodka, muito popular na Polónia. Em plena conversa o meu colega brasileiro, no auge do seu conhecimento de polaco, percebeu na conversa das três polacas uma ordem de distribuição de homens para elas. Graças a deus, a que me fora atribuída, era aquela que tinha os mais belos olhos que vi nos últimos tempos, Kasia.
Tomamos então a decisão conjunta de irmos para uma festa em casa de uns brasileiros que eram quase meus vizinhos. Uma vez lá o meu companheiro brasileiro mostrou-me umas janelas com uma vista linda, num quarto vazio e perfeito para uma tentativa de sorte com as meninas. Subi a esse quarto com Kasia. Lá mostrei-lhe o rio, a ponte e a minha intenção de beija-la. Recusou, dizendo que tinha em casa um namorado que aguardava por ela ansiosamente. Mesmo assim eu tentei outra vez. Mais uma vez fui impedido de concretizar a minha intenção. Levei então Kasia para o telhado da casa.
Uma vez que a minha tentativa de beijar a bela Kasia tinha falhado, tinha então a intenção de dançar ao som de ritmos brasileiros variados. Mas o jovem anão queria ir ao Bairro Alto, onde tinha conhecido a sonsa que alimentamos. Recusei a oferta mas fui massacrado com insistência por parte do anão que me prometia sucesso com a bela Kasia.

Apesar da minha descrença, fui. Fomos a vários locais no Bairro, entre eles o local onde todos nos tínhamos conhecido. Num bar brasileiro dancei com Kasia mais intensamente. Umas horas depois sentado a beira rio senti que era a hora de tentar novamente a minha sorte. A bela Kasia parecia precisar de calor humano, eu prontamente me disponibilizei para ajudar.
O sol estava a nascer quando consegui roubar então um beijo a dona de tão belo olhar...



















