sexta-feira, novembro 18, 2005

As noites d´antigamente


O pais está em crise económica, moral e física. Eu só escapo, por pouco, a crise moral, porque de resto estou muito português. O meu dia a dia é passado entre um estágio onde não sei se fico, um trabalho onde não ganho para pagar a renda de casa e umas (2 ou 3)horas por dia de descanso. Mas o mais engraçado que o que sinto falta é de passar 5 noites por semana no Bairro Alto (BA).

No BA, o que fazia era resumido a conversar com amigos, conhecidos e principalmente com desconhecidos. Durante dois, ou seriam três, anos passei uma media de quatro/cinco noites por semana lá. E por lá conheci pessoas de muitos mundos, lugares e realidades que não os meus. Com estas pessoas partilhei experiencias passadas, tanto por elas como por mim, ouvi histórias sobre sucesso, fracasso ou apenas vidas, mas acima de tudo ganhei abertura de mente (acho) e conheci o meu amor.

Nunca tive muito $$ para lá gastar, para dizer a verdade mais foram as noites onde o $$ nem chegava para uma cola, do que as que chegava. No entanto sempre lá fui muito, hoje por coisas do destino e principalmente por sair de casa as 9 e voltar depois das 22, não tenho coragem para lá ir tão amiúde como a minha mente me pede. Acho até que isso me está a deixar mais gordo.

Mas existe uma coisa que quando explico as outras pessoas raramente acreditam em mim, mas o que mais saudades tenho do “meu” BA é de estar sentado a porta da casa de alguém que não conheço a ver as outras pessoas. Acho que hoje vou passar por lá para ver as “gentes”. Se me virem por lá podem cumprimentar-me pois como disse antes é da conversa que aprendo a ser um doido tão sociável.
quarta-feira, novembro 16, 2005

Remédios


Estou com gripe ou algo género desde sexta feira. Algo pelo qual todos já passamos uma vez ou outra. O problema, tenho que trabalhar, sair a rua e principalmente Marcar entrevistas a potenciais clientes do cartão Visa Gold lá da empresa.

Tudo isto pode parecer simples, vais com pouca força mas vais. No meu caso, vou, cheio de remédios nos cornos (desculpem a linguagem), mas vou. Estamos numa sociedade que nos ensina que desde que tudo não esteja como gostaríamos no nosso corpo, existe uma solução, remédios.

Todos os dia de manhã desde sexta tomo um cocktail de remédios que me deixam entorpecido durante o resto do dia e que fazem com que eu esteja 75% ou menos alerta. Tenho a sensação que o mundo gira e eu estou apenas a acompanhar o seu movimento de translação a volta de si mesmo e do sol.

Será que a sina dos jovens é o trabalho sem pausas para respirar. Se falto um dia ao trabalho, recebo menos $$ no fim do mês. Se vou doente dizem que não marco entrevistas como deveria. Qual a solução? O euromilhões não me sai, não me morre um parente rico que nem conheço e que me deixa uma fortuna e se falto ainda me reduzem o meu já reduzido salário. Será a única solução ser o dono da empresa?

Não sei mas enquanto descubro estou a aprender a viver dopado sob o efeito de aspirinas misturadas com vitaminas e analgésicos variados. Tenho medo de me tornar um toxicodependente da pior espécie: os drogados da farmácia. Aqueles que vão a farmácia compram produtos que lhes tiram as dores e lhes dão uma ajuda par tudo: Acordar, respirar, ter força e para dormir!

A única conclusão a que chego é que quem me diz que as farmacêuticas tem um lobby para nos fazer sentir doentes sempre, por tudo e por nada!
quarta-feira, novembro 09, 2005

O fim do mundo


Tenho de alguns dias para cá uma ideia fixa na cabeça. A ideia de que Isaac newton tinha razão. Não me refiro a sua famosa teoria da maça. Sei que existe a gravidade, no entanto começo também a acreditar nos seus cálculos que falam no fim de tudo como o conhecemos.

Passo a explicar, Newton escreveu que o dia do julgamento final, o apocalipse, o fim de tudo como o conhecemos chegará no ano de 2060. No entanto eu tenho pequenas alterações a esta teoria, uma teoria mais perto da teoria da vida, onde a maior doença mortal é a vida. Mas se tudo o que nasce, nasce com um tempo limitado pelas leis orgânicas, eu começo a acreditar que mesmo assim algo ou alguém acha que já fizemos merda a mais neste mundo.

Mas vou tentar explicar a minha teoria com exemplos mais fáceis de perceber. A 10 de Setembro de 2001, eu fiz o meu 21º aniversário. No dia seguinte vi na televisão algo que iria mudar a relativa paz que o mundo vivia, o atentado as torres gémeas. Todos concordamos (uns mais que outros) que pessoas conscientes, responsáveis e mentalmente sãs, não fariam uma estupidez dessas. Mas é mais fácil acreditar que de um louco se trata, do que pensar que os talibans estavam a acabar com o fornecimento de ópio para os E.U.A. e que o governo americano precisava de garantir a “moca” do seu povo, precisava de garantir que o povo não começa-se a fazer demasiadas perguntas sobre quem os preside, sobre como são presididos. Pensar que tudo é culpa de um louco multimilionário fanático, que por ódio aos Estados Unidos (háha Unidos a que?) é muito mais fácil.

Mas claro os devaneios de Bush ou de seu governo não provam que o mundo está perto daquele dia. Pouco depois tivemos na Ásia o Tsunami, que apesar do nome não é uma empresa de jogos de vídeo, mas sim o nome de um dos maiores maremotos de que há registo. Milhares de mortos, casas e economias destroçadas e uma vontade enorme de todo o mundo ocidental em mostrar que estava a ajudar em algo. Talvez apenas uma memoria (e está na moda falar desta merda) do que se passou em Lisboa a 1 de Novembro de 1755, mas também talvez um aviso para o verão deste ano.

Neste verão em Portugal tentamos fazer castanhas assadas com tudo o que é verde. Povo de deus, as castanhas são verdes mas o Sporting também e nem por isso se come! Não tentem queimar tudo que é verde, mesmo que com pensamentos “Canabicos”, tentem pensar, quando se queima tudo, no ano que vem, não sobra nada para queimar. Não falo de salvar os nossos filhos, ou de proteger as terras contra a desertificação do solo. Falo de os bons e tradicionais incêndios de verão portugueses, aqueles dos noticiários de Agosto. Não queremos que esses incêndios nos interrompam as férias no Algarve, nem que isso nos traga menos turistas, porque alguns tem que trabalhar, e outros apenas engatam nessas altura do ano e precisam das “bifas” para aprenderem como funciona o sistema sexual antes de casarem com a primeira Maria que lhes de atenção. Sejamos cívicos “carago”.

Vejamos então mais sobre o meu fim do mundo. Este está feito de pequenas coisas. Algumas fruto da minha rebeldia jovem outras fruto de agora já ver 4 canais de televisão em casa e logo ver telejornais. Não façam isso, o desimportante de repente torna-se motivo de stress na nossa vida para nada. Mas vejamos, Os jovens em França queimam carros e autocarros para pedirem a demissão de um ministro só porque este os chamou de escumalha. O Durão Barroso chamou-nos a todos burros a cara e nós aceitamos isso. Os E.U.A. acabaram de passar por inúmeros furacões que destruíram cidades e campos, mas quando os ingleses mandaram para lá ajuda Eles mandaram-na para o México. Tudo neste país subiu nos últimos 3 meses menos o $$ que temos no bolso. E quem queima carros são os franceses. Os Africanos subsarianos, ou lá como é que eles se chamam, querem todos vir para cá (deus os salve de vir para cá nesta altura) para ganhar o que nós não conseguimos nem juntar para viver. É mais barato comprar remédios de marca do que genéricos. Os genéricos em Espanha, pais que ganha mais que o nosso, são 60% mais baratos do que cá. E não falo dos luxos como o tabaco, que agora também pode ser mais barato em Espanha, mas sim de remédios. O nosso melhor candidato a Presidência da Republica é um gajo que há dez anos atrás não era bom para lá estar, ou vejam os resultados eleitorais que foram alcançados por ele na altura, o segundo melhor é um gajo com 81 anos, e o terceiro é que é poeta. Para mim todos os três devem ser poetas, porque escolher entre o Sisudo, o Velho e o Artista, não deveria ter que ser uma opção.

Porque podia escrever mais e porque podia acabar por convencer alguém paro por aqui, mas já sei “tudo que começa tem que acabar!”. MAS NÃO PODIA SER TUDO DE UMA VEZ?
terça-feira, outubro 25, 2005

Bancos no Corredor


O meu meio de transporte publico favorito é o autocarro, todas as manhãs vou para o estágio e todas as noites volto do trabalho num destes exemplares de economia publica, não por opção mas por falta de $$$ para comprar e manter o meu próprio veiculo (carro ou moto). E já de algum tempo para cá tenho notado um fenómeno de egoísmo muito estranho e ilógico, o facto de quando existem dois bancos vazios dentro de um autocarro, ao contrario do que seria lógico as pessoas não se sentam o mais perto da janela possível, mas sim o mais perto do corredor que podem. Varias vezes já me questionei relativamente ao motivo que faz com as pessoas ao terem que dividir este banco com outras pessoas, não se aproximam da janela, mas preferem levantar-se e voltar a sentar-se do que encostarem-se a janela.

Os motivos que me ocorrem para tal seriam: a esperança de que ninguém mais ocupe o lugar ao seu lado; a certeza que vão ter que correr muito quando chegarem a sua paragem; ou uma vontade louca de se roçarem com as pessoas que se vão sentar ao seu lado.

A verdade é que ao ter morado em Salvador aprendi que por lá as pessoas fazem isto para que não se sente ao seu lado um ladrão e lhes roube tudo (até mesmo os ténis), no entanto nunca ouvi relatos de pessoas que tivessem temido pela sua vida dentro de um autocarro da carris. Mesmo assim as pessoas gostam mesmo é de se sentar nos corredores nos autocarros.

Talvez isto seja reflexo de uma forma de estar na vida. Será que estas pessoas estão no corredor da vida? Pode ser que gente como eu que se senta a janela sejam as pessoas que estão a ver o que se passa na sua vida em vez de estar no corredor da vida a tentar fazer algo por si. Mas pode ser também que essas pessoas sejam aquelas que ao ver um por do sol lindo, pensem no dano que esse sol pode fazer aos seus olhos. Eu sou mais do tipo de pessoa que prefere agradecer por estar a ver mais um por do sol lindo, e quanto a ferir a minha vista, tenho óculos de sol!

O casamento de dois artistas


Sábado, 22 de Outubro 2005. Apanhei um autocarro, daqueles cor de laranja, muito velhinhos e muito barulhentos que percorrem Lisboa a tantas décadas. Dentro haviam algumas pessoas com aspecto cansado, olheiras que mostravam um fim de semana mais agitado do que esperado e um motorista feliz por estar ali naquele momento.

Entramos com o objectivo de voltar para a nossa casinha, pequena mas aconchegante (consolo de pobre) onde a volta ao “nadasefaz” se previa como o mais provável destino do nosso tempo.

Após uma curta viagem saltitante do bairro da Lapa ao começo do bairro dos Prazeres, descemos a frente dos jardins do Museu (Nacional) de Arte Antiga. Fomos para o miradouro que estes jardins tem abertos ao publico. Jardins estes com forma semicircular, com uma arvore cujo topo apresentava uma cobertura de flores cor de rosa, onde o sol batia de frente e onde os bancos lá postos são protegidos do sol pelo topo rosa que tão linda visão nos proporcionava. Lá sentado a olhar para o pôr do sol fumei um cigarro pequeno mas que muito condizia com aquele momento no qual nos abraçávamos com muito amor.

Ao terminar o meu cigarro, apaguei-o num cinzeiro que por lá estava. Nesse momento pus-me de joelhos e proferi a pergunta que creio já ter sido proferida muitas vezes antes no mesmo local onde estávamos, perguntei a Kasia se queria passar toda a sua vida a meu lado, como minha mulher e eu como seu esposo.

A resposta positiva veio seguida de uma pequena mas marcante lágrima que escorreu lentamente o seu rosto seguida de um riso inocente mas não ingénuo. Na minha mão como que por magia surgiu um anel prateado, que antes me fora oferecido pela própria Kasia, que imediatamente foi posto na sua mão esquerda no seu dedo anular. Após troca de juras de amor eterno o vento bateu suavemente no topo da arvore, como que dando a sua bênção a esta união e comunicando-nos a sua intenção de nos obrigar a manter as promessas acabadas de fazer. Sorrimos juntos e Kasia apertou-me com convicção contra o seu peito e eu fechei os olhos e cheirei aquele lindo momento.

A partir daquele breve momento, legalmente sem valor, ambos sabíamos que acontecesse o que fosse haveria alguém que estaria lá para nos apoiar sempre que a vida nos pedisse uma força que não soubéssemos de onde tirar. Essa força viria tanto da natureza como um do outro. O amor de dois artistas tem muito que se lhe diga.
sexta-feira, outubro 21, 2005

O teleembuste !




Desde Novembro do ano passado que tenho o “prazer” de trabalhar como operador de call center (vulgo gajo do telemarketing). Comecei por trabalhar para o monstro das telecomunicações, a PT. Estive lá até Agosto deste ano. Depois fartei-me de trabalhar numa empresa que maltrata tudo e todos só porque pode. Carrega planos de preços as pessoas (consumidores) sem lhes perguntar qual a sua opinião, muda os horários dos seus funcionários avisando-os 48 horas antes, sem justificação, cobra chamadas aos consumidores que estes nunca fizeram e entre outros, principalmente, cobra-lhes 15 euros só para terem um telefone em casa. A juntar ao facto de trabalhar para esta maravilha de empresa, tinha ainda o prazer de ser cumprimentado pelo meu superior directo (de nome Fernando) com expressões como “Vai para o ca**lho!”. Meia hora depois de este individuo ser meu chefe já tinha ouvido 15 minutos de conversa a respeito de como eu não poderia tratar “desta” forma os funcionários desta senhora (a chefe). Como não sabia de que me falavam pois ainda não tinha tempo para tratar de forma nenhuma os tais funcionários onde eu era suposto me enquadrar, pedi rescisão de contrato com efeito imediato (fui me embora).

Como seria apenas lógico, comecei outra vez a busca pelo trabalho temporário ideal. Mandei algumas dezenas de curricula vitae e obtive no mesmo dia um retorno por parte de uma pequena agencia nova, onde marquei na manhã seguinte uma entrevista. Fui para a tal entrevista “armado” de tudo o que se leva nestas ocasiões: Um cadernito, uma caneta, um jornal debaixo do braço e um sorriso triunfador. Um jovem de uma faculdade vizinha recebeu-me no seu pequeno escritório. Prometeu-me este mundo e o outro e no meio marcou-me uma entrevista num pequeno call center perto do Saldanha (onde é o meu estágio). Com grande entusiasmo (o que só dois saudosos ex-universitários podem ter) deu-me um abraço e prometeu-me que tudo iria correr as mil maravilhas.

No dia seguinte comecei uma formação que prepararia para toda a minha vida profissional (háháhá) em apenas 2 dias. Após este dois dias deram-me magnificas noticias, na segunda feira aquele senhor tão parecido com o Zézito Castelo Branco ia me contactar para me informar de quando seria o meu inicio laboral nesta bela instituição. Até hoje estou a espera desse telefonema.

Recomecei então a minha busca pelo meio de labuta que iria pagar as minhas contas. Mandei mais algumas dezenas de curricula vitae e no mesmo dia fui contactado por outra agencia de teletrabalho, para não me repetir digo apenas que após mais três dias de formação, fiquei lá mais cinco dias. Nestes cinco dias a minha mãe, coitada, foi ofendida umas dezenas de vezes, tentei vender canais de televisão a pessoas mortas, a desempregados, a pessoas que não tem tempo para ver a caixinha que governa o mundo e a pessoas que não sabem o que é o canal Playboy. Após esses cinco dias alguém já gritava comigo outra vez e me ameaçava com o corte do precioso dinheiro das contas. Escrevi mais uma carta de demissão e fugi dali a sete pés.

Três empresas por onde passei, mais rápido ou devagar para apenas chegar a conclusão que todos querem vender frigoríficos a esquimós não sabem como. TENTEM VENDAR AS PESSOAS ALGO QUE ELAS QUERIAM MESMO. NÃO NOS CHAMEM DE ESTUPIDOS!!
sábado, agosto 20, 2005

Tardes de verao


No verão de 2005, um pequeno país a beira mar plantado ardia. Na sua capital, um jovem estranho, alto, magro e muito palido, chorava as suas penas. Este jovem respondia pelo nome de João Santos Silva, tinha 23 verões, bem vividos e muita vontade de vencer. João morava no bairro da Madragoa, onde dividia um apartamento, de 20m2, muito apetitoso com a sua namorada Catarina De´ville. Catarina tinha 21 anos, era francesa, loira, de estura media, dona de um rosto especialmente belo e estava em Portugal pelo motivo mais dificil de explicar: amor. João trabalhava num pequeno bar de santos, chamado Comunicações durante as noites, durante oss dias estagiava numa das maiores agencias de publicidade do país a Atriuns.

João chorava as suas penas pois não só o seu país se esvaia em fumo como a sua vida parecia não ter uma solução. O seu estágio não era remunerado e no bar não ganhava mais do que pagava de renda, devia no banco muitos euros. Para juntar a isto Catarina também não estava muito feliz com ele, ele tinha traquinado umas noites atrás. As tardes de Agosto escaldante eram passadas no seu estágio jogando de tudo um pouco, lendo sobre a sua actividade e ocasionalmente com algum trabalho. A verdade é que não havia muito trabalho nesse Agosto e o calor era tanto que chegava para estrelar ovos na rua.
João pensou numa solução para o seu problema economico. O trafico de pequenas quantidades de estupefacientes extremamente caros, Merla, um novo tipo de droga que estava agora a entrar no país de forma discreta. A merla apenas entrava no país por avião via America Latina. João estudou todas as falhas e forças no sistema de controle da policia judiciaria. Era bastante bom, mas alem de não cobrir toda a costa do país era também pouco eficaz no controle do correio. João telefonou então para amigos seus em Bogotá, 2º maior distribuidor de merla do mundo. E pediu para que lhe enviassem em tres envelopes separados para sua casa, com um nome estranho, com um remetente estranho.

Recebeu estes tres pacotes, distribui-os por seus amigos. nada sobrou e o desespero de João apenas crescia, mais uma divida para pagar. João sentou-se e chorou...
sábado, maio 22, 2004

Noites Cariocas


Nano,23 anos de idade, era fisicamente o mais carioca dos cariocas, apesar da sua nacionalidade francesa, tantas vezes por si discutida, assim como era o mais mitra dos mitras, lutador, safado e apaixonado. Mulato, nem magro, nem gordo, nem alto, nem baixo, apenas mais um no meio de tantos. Os seus olhos, grandes e negros junto com o seu sinal acima da boca, davam-lhe o seu sucesso relativo entre as mulheres. Tinha como grande defeito a timididez na hora de se aproximar das suas futuras conquistas. Porem por vezes este medo era ultrapassado, por ele ou por elas, de forma a que assim foi tendo algumas experiencias marcantes na busca do amor. 23 anos aproveitados para conhecer um pouco de tudo na vida.

Estava no Rio de Janeiro a fugir da vida que adorava em Lisboa e à procura de mais do mesmo noutro lugar e com outra gente. Noites sem fim mas sem nada para contar e dias que serviam de ligação entre noites, sendo gastos para dormir, estudar, fumar e comprar. Porem as drogas, as mulheres e a bebida seriam o seu fim se não fossem interrompidos ou assumidos como a sua opção de vida.

As suas noites no Rio eram passadas a chorar os seus males, entre uma ganza e outra Nano jogava cartas e ouvia sons do seu passado. Chorava. Para se enganar via muita televisão e furava cariocas, não que se arrependesse, mas não eram as suas noites no Bairro Alto.

Foi assim que decidiu encontrar o seu verdadeiro amor. Durante meses saiu por bares, festas, restaurantes, raves e muita bohemia. Conheceu muita gente. Nada o deixou feliz. A verdade é que já sabia à muito que estava a procura no lugar errado, Madrid não era ali, nem de noite, nem de dia.

Começou assim uma nova fase, fechou-se em casa. Decorou a sua casa a seu gosto, comprou comidas, bebidas, aprendeu a cozinhar e descobriu a solidão. Noites interminaveis, dias intediantes, o desespero. O sofá tinha a marca do seu rabo assim como a televisão o seu dedo marcado. Passou semanas fechado em casa a pensar na vida, nada concluiu a não ser que o tédio não traz prazer. Decidiu muitas coisas, trabalhar, lutar pela vida, fazer ginastica, ler, mas nenhuma delas cumpriu. O seu peso de drogado em construção foi perdido, o que foi apenas mais uma dor com a qual teve que lidar. O Rio estava a trata-lo mal, nem saude, nem bohemia á altura das promessas. Um amor mal resolvido do seu passado o presseguia, isso não deixa a felicidade prevalecer.

Filmes de segunda e ideias de terceira eram tudo o que ele tinha, até decidir que a solução era ser um artista incomprendido. Nisto ele teve bastante sucesso. Pintou quadros, escreveu poesia, cantou as suas dores e como era parte da personagem, ninguem ouviu, leu ou viu o que produziu, talvez um dia...

Então ao ver o seu sucesso na mais estranha de suas buscas não cessou a sua arte, a imcomprensão é um ópio muito estranho, e como todas as drogas não dava vontade de parar. Escreveu historias, contos, poesias, e frases. Pintou quadros, desenhos, esboços e rabiscos. Cantou blues, rock, reague e até pop. Inspiração só deus sabe de onde a ia buscar, mas a verdade é que não parou, produzir algo é sempre um estimulo para a continuação da vida.

Após ums anos começou a questionar a sua razão de estar no Rio. Então decidiu ver praias, turistas, putas, putos, miudas e morros. Descobriu que quanto mais conhecia mais criava, a cultura ajuda a inspiração. Decidiu então que tinha que viver em algum lugar e de algo.

Alugou um pequeno apartamento em Copacabana, conheceu a fundo as suas ruas, pessoas e custumes. Passsou então a gostar de onde estava, mas algo faltava para estar em casa. Decidiu trazer esse algo até ele. Falou com um amigo seu arquitecto e mandou fazer uma oferta à sua paixão no escritório desse seu amigo. Esta sem saber onde se metia aceitou a oferta, o dinheiro era bom.

Ao chegar a Rio, Victória, argentina, residente em Madrid, loira, linda e sorridente pediu a Nano abrigo até encontrar um lugar para se hospedar definitivamente. Nano aceitou e riu muito por dentro, a felicidade veio a ele por seus proprios meios.

Sairam durante algumas noites, ela caiu nos seus braços e deixou que ele reafirmasse o seu amor por ela mais uma vez. Ela negou que tal passa-se por sua mente, mas continou a aproveitar o seu amor, o seu sexo e a sua vida. Com o tempo entendeu que o problema dele era apenas os seus vicios. Ela só se aprecebeu disso quando ele deixou a maior parte deles.

Como não tinham deixado de amar-se durante este longo periodo ela com muito custo pessoal asssumiu perante Nano e o mundo que o amava. Como não poderia deixar de ser foi então que Nano fez o que mais tradicional nestes casos, recusou ser usado e amado por Victória. Continuou a seu lado, mas o vazio só aumentou.

Decidiu então que para ser um verdadeiro artista incomprendido tinha que estudar algo. Inscreveu-se na faculdade de letras onde no tempo record de dois anos se formou com honras e distinção, sempre com ajuda de Victória, sempre muito apaixonada. No ultimo mês lá conheceu uma rapariga carioca com quem se envolveu. Joana era morena, esfusiante, muito “caliente” e mãe de uma linda menina de tres anos. Durante um ano namoraram, enquanto Victória desesperava e via o então amor da sua vida se perder nos braços de outra mulher.

Nano casou-se com Joana, foi morar com ela para Salvador e deixou o seu apartamento para Victória morar.

Em Salvador não foi feliz, nem com Joana, nem com os seus amigos de infancia, a vida tinha mudado muito o que Nano era desde esse tempo. Escreveu sobre isso e por primeira vez na vida foi lido e lido por 500,000 pessoas. Tirando proveito da sua nova fortuna foi ao Rio encontrar com o seu amor de sempre, Victória. O reencontro foi dificil pois Victória estava a namorar com um carioca grande e mau. O pitboy foi gradualmente trocado por Nano. Até que um dia Victória recebeu de Nano uma proposta que não recusou, ir morar em Madrid, abrir com ele um disco-bar e comprar com o que restasse do dinheiro do livro um apartamento e uma maquina de escrever para que Nano continuasse a escrever e quem sabe continuar uma obra que estva já a crescer, assim como o amor deles.

Soube que tiveram dois filhos, que Victória abriu um escritório de arquitectura com amigas e que Nano recebeu o prémio Camões pelo seu sexto livro. Parece que o titulo deste livro é : Noites Cariocas.
terça-feira, novembro 25, 2003

A minha avozinha


Esta é a minha avó chica, vive em guimarães e está a espera desde os anos 70 de que o avô lhe de um Mercedes 300 sl.
É um amor de pessoa, não papa grupos. Vive numa casa linda
Este é um dos salões do T0 da avózinha.
segunda-feira, abril 15, 2002

A Autobiografia de Um Filho Rico de Um Pai Pobre


Com apenas 21 anos de idade não pode haver muito a contar sobre uma pessoa, ou pode? Com esta pergunta comecei uma introspecção. Poderia começar por dizer que nasci num dia de sol enquanto o mundo recebia uma noticia que deixava muito feliz a humanidade, mas a verdade é que eu não me lembro de tal dia nem de muito dos meus primeiros dias de vida. Talvez me lembre do meu primeiro acidente rodoviário e isso possa ser um ponto de partida para uma curta autobiografia de um filho de um diplomata. Ou como me foi dito um dia um dia por outro filho de diplomata, sou um filho rico de pai pobre.

No ano de 1980 na cidade francesa de Clermont Ferrand nasceu o pequeno António Pinto de Mesquita. Filho do promissor e jovem diplomata Símeão Archer Pinto de Mesquita. Nascia, algo banal e tantas vezes contado sobre a vida de tantos. Mas essa foi a descrição que eu ouvi de um nativo que lá vivia nessa época e que devo confessar ser a verdade.

Mas as minhas primeiras memórias são de uma tarde na qual eu andava de bicicleta e ao ver um lindo par de olhos também numa bicicleta, acelerei tanto quanto podia para caça-los. Isto rendeu-me um sermão e umas nódoas negras e o que creio ser a minha primeira memória do que gosto de chamar a minha vida. Memórias curtas e de pouco interesse como estas são tudo o que carreguei para Lisboa no ano de 1985.

Ao chegar ao que deveria ser a minha casa no fim das minhas andanças na representação da minha amada pátria entendi por primeira vez na vida que um diplomata só é respeitado quando representa o seu pais. Pois na sua nação o seu salário apenas serve para comer todos os dias e para outras futilidades tais como comprar roupas para os seus filhos.

Durante os meus próximos 5 anos apenas fiz o que qualquer português nessa idade fáz, brincar, aprender o seu idioma correctamente e aprender os valores morais que tanto nos ajudam por esta vida fora. Claro que ter uma mãe criada para pensar que a cultura africana são formas de comer, de dançar, de falar e talvez de estar, não de ajudou a entender as minhas raízes africanas. Mas o meu lado português e guerreiro ajudou-me a ver que o mundo é um lugar onde não se pode sobreviver sem parar para ver que o Sol está lindo a iluminar as flores e as pombas.

O meu décimo aniversário ocorreu na cidade de Madrid, onde se fixava agora a minha residência fazia já dez dias. Para quem se lembra, a queda do muro de Berlim em 1989 ajudou a ver o mundo de formas diferentes. Por ser uma criança que sempre amou o direito à liberdade isto só poderia querer dizer que a guerra na pais em que fui produzido e onde quero voltar deveria estar perto do fim. Angola sempre teve um papel importante na minha vida. Por estranho que possa parecer só em Madrid encontrei as minhas raízes africanas, pois lá vim a conhecer muitos dos meus contactos com essa bela e no entanto tão sofrida terra. Pois lá conheci e desenvolvi uma cultura africana que poucos afro-lusitanos se podem orgulhar de ter. Aprendi que uma guerra nem sempre é lutada por dinheiro ou religião mas também por medo. Medo de não ter o que comer ou de não saber no que acreditar. Esta guerra pode ser lutada com papel escrito com tanques ou com whisky. O importante é não se esquecer que o nosso povo sofre sem saber muitas vezes por que razão.

A sociedade que conheci em Madrid pode ser muito cruel e fazer com que um jovem de 12 anos de idade pense que por ser tímido é menos que os outros, ou que por ser negro, tem culpa do desemprego de tantos espanhóis. A falta de auto estima nesta idade pré-adolescente levou-me por vezes a pensar no suicídio. O que me salvou a vida nesta época da minha vida foram os lindos olhos azuis de uma loira argentina que me acolheu nos seus braços. Isto criou um amor que poderia chamar o meu primeiro amor, mas que chamo o meu primeiro amor por duas pessoas. Victória e eu. Claro que como todo amor de adolescência teve os seus altos e baixos incluindo também inocentes beijos na boca e mais tarde o principio de uma descoberta que nos levou a conhecer coisas até então desconhecidas, tais como o crescimento do calor quando dois corpos tentam ocupar o mínimo espaço possível, estando agarrados até que se pudesse sentir o doce perfume nos cabelos do amor.

O fim de esta relação apenas me veio ensinar que com o tempo não é mais fácil dizer adeus a alguém por nós querido de todo o coração. O fim de uma relação pode ser tão doloroso como a morte de alguém muito querido, mas por vezes é algo necessário. Sem estes detalhes não daríamos tanto valor ao respirar daquela com quem partilhamos ideias, pensamentos e sensações tão simples como o tomar um café.

A minha iniciação no mundo do álcool também se deu em Espanha mas apenas no mês de Março do ano de 1995 quando o primeiro exagero por álcool me levou a descobrir o sexo, os detalhes da noite com Cristina, que era exactamente 2 horas mais velha que eu, não contarei, apenas digo que foi uma noite inesquecível para min e pela cara de felicidade dela no dia seguinte, diria que para ela também. Nunca mais achei as viagens de ski tão fascinantes depois deste episódio, mas quem me pode culpar ? A primeira vez de um adolescente é sempre algo para recordar com muito carinho.

Por volta desta época soube que o meu próximo destino seria Salvador da Bahia terra de misticismo indescritível e de tantos encantos. Com malas aviadas para o Brasil descobri que a amizade não tem fronteiras e que nada como umas cartas por ano para manter acesas várias amizades. Amigos em Madrid tenho para o resto da minha vida.

Festas quando uma pessoa abandona um lugar, vi muitas durante a minha ainda curta vida. Porem poucas vezes senti tanta pena de abandonar um lugar como ao sair das terras d´el rei Juan Carlos.

Ao chegar a cidade santa de Salvador a surpresa foi muito grande. Uma das primeiras imagens que tenho desta cidade é a da minha mãe a chorar por algo que só mais tarde viria a entender. Salvador no ano de 1995 parecia Luanda no ano de 1975 e 15 anos sem ver a cidade de criação da minha mãe mostraram-me que até os fortes caem mesmo que apenas por momentos.

Nesta terra de tanto pecado aprendi como escapar imune a quase todos os pecados que a igreja católica não condena. Beber álcool como se fosse água, guiar como se não houvesse limites para a física, praticar sexo como se as mulheres se tratassem de objectos entre outras coisas que não devo comentar pois são ilegais quase em qualquer lugar deste meu amado planeta.

Aprendi também que um por do sol tem mais valor do que muitos dias de trabalho se o primeiro for bem aproveitado. Conheci também formas de adorar os deuses que um europeu jamais poderia entender sem uma grande vivência com um povo de raízes africanas muito fortes e de crenças raramente divulgadas aos forasteiros. Apenas por ser um homem com raízes africanas mais fortes que a maioria do povo brasileiro tive acesso a tão assustadora mas eficaz forma de invocar e entender os deuses e suas tropas.

Durante os meus primeiros meses dediquei-me a dominar uma arte que até hoje amo praticar, a condução de automóveis, depois aprendi como é possível reverter cada uma das mais variadas leis rodoviárias com uma já famosa “cervejinha”, uns reais para o bolso de um policia cuja face não mais recordarei e um sentimento que ele poderá dar de comer aos seus filhos mais facilmente este mês.

Ao completar 17 anos de idade algo se passou com este jovem português que lhe deu consciência , apenas não sei o quê. Mas a verdade é que arranjei um grupo de amigos que como eu não bebiam, não fumavam e acreditavam no uso do cinto de segurança como medida de prevenção e não apenas como outra lei que nos é imposta por tão corrupta autoridade.

Aprendi também que uma tarde na praia pode ser apenas uma tarde de dominó e conversa sobre temas que nos interessam a todos mas que ninguém pode responder com certezas absolutas, tais como o destino ou qual o lado político mais correcto. Soube por fim que um jogo de futebol nunca é mais importante do que a leitura de um bom livro, ou até que qualquer livro que seja do meu interesse.

Passei nesta época a ter algo por sempre ansiara, a sensação de pertencer a um grupo de amigos de forma a que mesmo sem um elemento deste grupo, independentemente de qual, fosse possível a reunião deste e que o tempo parecesse ter parado para a reunião de gente tão diferente por um lado e tão igual por outro. Falamos de um grupo que tinha um baiano filho de argentina, um sulista neto de alemães, de um baiano neto de índios e de um português filho do mundo. Um grupo no mínimo interessante !
Namoradas tive algumas. Umas deixaram mais marca que outras, mas ao ser um pinga amor a todas entreguei o meu amor. Curiosamente a que mais tempo me aturou foi uma argentina de olhos azuis e loira, tal como o fora a minha primeira namorada. Não se pode dizer que fosse uma mania pois foram as únicas loiras que namorei até ao dia de hoje.

Para variar quando a Bahia me trazia uma sensação de ser casa foi quando soube que voltaria a minha tão amada pátria, Portugal. Não que o ano de 1999 fosse um ano sem mais marcos pessoais, apenas digo que esta foi a coisa mais marcante deste ano.

A entrada para a universidade foi algo que serviu para mostrar-me que a minha capacidade de aprender só tinha um limite, eu ! Pois enquanto outros passaram 3 anos a estudar para o grande exame de acesso a universidade, eu apenas me preocupei com passar de ano. Quando notei que faltava apenas um mês para o tal exame dediquei-me durante esse mês a estudar tudo o que me fora ensinado, a fundo, de tal forma que após ter falhado os exames às outras universidades, aquelas que não me interessavam, neste tive uma nota boa o suficiente para entrar em direito em quase qualquer universidade do mundo. Um dos motivos que me levou a tal coisa foi o facto de ter recebido noticias de Portugal que diziam que o meu falhanço neste exame era por todos uma certeza tida. Claro que uma vez dentro da Unifacs (Universidade de Salvador) e com a noticia que a meio do ano mudaria de país, o estudo deixou de fazer parte das minhas prioridade mais uma vez.

Nesta altura dediquei-me de corpo e alma a “curtir” com toda a força que me restara após um mês que quase me levou a uma quebra nervosa. Mas nunca tivera tanto dinheiro até então, ou tanta liberdade. Estamos a falar de uma altura na qual eu tinha: dois carros, 400 dolares por mês, uma casa grande com piscina, sauna e outros, alem de uma liberdade que nunca me fora dada antes. Claro que como jovem inconsciente fiz muitas asneiras que poderiam ter me levado à morte em muitas ocasiões. Mas como é sabido são os erros que nos ensinam o porque de tão chatos avisos por parte de nossos pais pela vida fora.

O retorno a Lisboa foi algo que me fez ver porque sempre amei e amo tanto esta cidade. Claro que a falta da felicidade do povo baiano sente-se muito numa cidade grande como Lisboa, muito porque como todas as cidades em que vivi ao chegar não tinha amigos.

Nesta fase tomei por melhor amiga, a minha avó materna. Ao que parece isto fazia tanta falta a ela como à minha pessoa. A verdade é que sem esta ajuda não sei se a solidão de tão grande cidade seria suportável. Com o tempo e com a ajuda da minha actual faculdade consegui conhecer pessoas com quem posso contar nos momentos de dificuldade.

No meu segundo ano em Lisboa achei que era momento de conhecer o meu país assim como o de nuestros hermanos. Assim com a companhia de um amigo que veio me visitar do Brasil parti a conquista de tão belas paragens. Como filho de Diplomata, em terras de pouco reconhecimento pelo seu empenhamento à sua pátria, tive algumas dificuldades em amealhar capital para tão prometedora aventura. Mas como o meu carro tem bancos reclináveis, o quarto de hotel estava encontrado para todas as cidades a que me desloquei. Conheci gente em Madrid, Barcelona, Guimarães, La Coruña, Braga, Sevilla entre tantas outras cidades por esta nossa península fora. Isto ajudou-me a fazer-me entender que é aqui que quero viver o resto da minha vida.

Poderia concluir dizendo que agora sou muito feliz, que vou casar com o grande amor da minha vida, ou que o futuro só me pode ser favorável, mas a verdade é não sei o que este me guarda ou como chegarei ao dia (longínquo espero) da minha morte. A grande verdade que aprendi com os anos é que sem apreciar um bom por do sol pelo menos uma vez na vida não se entenderá porque um dia de chuva pode ser tão triste.
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